DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: AUDIÊNCIA DEBATE IGUALDADE E INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, a Assembleia Legislativa realizou audiência pública, na tarde desta quarta-feira (20), para debater os atuais desafios da população negra, a luta contra o racismo e a intolerância religiosa. O evento foi uma proposição da deputada Isolda Dantas (PT) e do deputado Francisco do PT.
Como propositora da audiência, Isolda Dantas, demostrou indignação diante dos casos de violência contra negros e praticantes de religiões com matriz africana “Os dados mostram o quanto a população negra ainda é discriminada. Isso não é achismo. A juventude negra está morrendo nas favelas, nas ruas de todas as cidades e não se faz nada. Um exemplo disso é o caso Mariele. É preciso deixar aqui toda a minha indignação e toda a minha revolta quanto a intolerância religiosa existente e quanto ao racismo impregnado na sociedade, “ declarou Isolda.
Representando o Movimento Enegrecer Coletivo Nacional de Juventude Negra, Ysmael Rabino, que também é diretor de combate ao racismo da União Nacional dos Estudantes (UNE-RN), falou sobre os espaços ocupados pelos negros nas universidades. “A universidade sempre foi um espaço de brancos e burgueses. Nossa luta para ocupar esses espaços vem de longe. Nos últimos anos, passamos a conquistar esses espaços e isso vem incomodando muita gente, uma vez que, passamos a produzir conhecimento, ” declarou Ysmael.
A representante dos povos de terreiro, Lhasa Calassia, cobrou liberdade de religião, cultural e respeito a diversidade. “Estamos em 2019 e ainda temos muitos casos de intolerância religiosa com racismo. O nosso povo quer ter o direito básico de ter a nossa fé e cultuar o nosso credo. Ainda hoje, sofremos ataques que não são vistos contra pessoas que praticam outras religiões. Precisamos de respeito. Hoje é o dia nacional da consciência negra, mas esse respeito tem que ser todos os dias, tem que ser os 365 dias do ano porque só nós sabemos o que a população negra está passando”, disse.
Giselma Omilê, Coordenadora de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (SEMJIDH), destacou aspectos da política de promoção da igualdade praticada pelo Governo do Estado. “Entendemos que é preciso uma política de igualdade que cause impacto. Para isso é preciso dialogar com a sociedade civil para dar um basta na violência, e dar um basta na intolerância religiosa que persiste. Precisamos, por exemplo, dialogar no sentido de combater o racismo institucional, nesse sentido, é preciso dialogar não só com a segurança, mas também com os setores da saúde, educação e demais áreas governamentais, ” explicou Giselma.
O coordenador do Programa de Cidadania da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (SESED), Gesaias Ciriáco, falou sobre a atuação policial quanto aos casos de violência decorrente de racismo e intolerância religiosa. “É preciso entender que está sendo um trabalho difícil, tendo em vista que, o operador de segurança veio do meio social e traz toda carga de intolerância impregnada na sociedade. É preciso capacitação profissional para saber como lidar com a sociedade e promover o controle interno e externo da atuação policial, por meio de uma readequação política do que já existia”, declarou Gesaias.
A Vereadora do município de Natal, Divaneide Basílio (PT), defendeu a implementação de políticas públicas acolhedoras no sentido de manter ações e atividades permanentes. “Precisamos ocupar os espaços pela porta da frente. Para isso, precisamos de uma política que nos acolha com ações que retrate a nossa cultura e com ações efetivas. É preciso enfrentar o preconceito com instrumentos que garantam o debate permanente, “ defendeu Divaneide.
Representando o Governo do Estado, a Secretária de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Arméle Brennand, demonstrou a forma como o Executivo está implementando a política de Igualdade. “O Governo está encaminhando uma pauta para ser a mais legítima quando se trata de justiça social. Precisamos trabalhar no sentido de construir uma sociedade democrática e para isso é preciso construir cidadania. O povo negro, o povo cigano, o povo índio construíram esse país. Temos que respeitá-los, ” declarou a secretária.

Jornal de Parnamirim

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