Turismo demitiu 1 milhão na pandemia e só retoma em 2023, diz associação

Poucos setores da economia sofreram tanto com a pandemia quanto o do turismo. Aviões no solo, ônibus nas garagens, hotéis fechados, atrações turísticas canceladas, pacotes suspensos foram as marcas de 2020. Na Braztoa, Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, as vendas caíram mais de 50% em relação aos R$ 19 bilhões apurados em 2019. A perda de empregos no setor é estimada em 1 milhão de vagas -incluindo funcionários diretos e indiretos (de outras empresas que prestam serviços relacionados à atividade).

A Braztoa é a principal entidade das operadoras de viagens, que são as maiores empresas do turismo, pois funcionam como se fossem os grupos de atacado do setor. São essas companhias que compram grandes quantidades de passagens e diárias de hotéis, por exemplo, e depois comercializam os pacotes por meio das agências e agentes de viagens no varejo. Por isso, os dados dessa associação representam o melhor retrato do turismo no Brasil.

“Estamos concluindo as pesquisas com os associados, mas posso adiantar que não devemos chegar a 50% do faturamento de 2019, que foi de R$ 19 bilhões”, disse Roberto Haro Nedelciu, presidente da Braztoa – Associação Brasileira das Operadoras de Turismo.

A entidade tinha 76 operadoras de turismo associados, mas agora registra apenas 50. Mais de 1 milhão de empregos – entre diretos e indiretos – foram fechados, diz Nedelciu. Com esse impacto, conta o presidente da Braztoa, o turismo no Brasil só deve retomar o patamar de vendas que tinha antes da pandemia, em 2019, lá para o fim de 2023. Isso se a imunização no país não seguir muito lentamente.

“Fevereiro está sendo melhor que janeiro, mas estamos muito preocupados com o ritmo de vacinação. Tudo está indo muito devagar”, afirma Roberto.

Levando em conta todo o setor, a crise econômica provocada pelas medidas de restrições para conter a covid-19 tiraram R$ 261 bilhões do turismo em 2020, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Veja abaixo os principais trechos da conversa.

UOLPassado 2020, dá para estimar o tamanho do estrago que a pandemia provocou no setor de turismo do Brasil ano passado?

Roberto Haro Nedelciu: Estamos concluindo as pesquisas com os associados, mas posso adiantar que não devemos chegar a 50% do faturamento de 2019, que foi de R$ 19 bilhões, que interrompeu um crescimento que vinha desde 2017. Em 2019, chegamos a crescer. E havia muita esperança em 2020 para o crescimento, que chegaria a dois dígitos.

Nós perdemos em empregos formais diretos no setor cerca de 397 mil vagas. Se contar o impacto indireto, perdemos algo como 1 milhão de posições.

Desses impactos, há risco que alguns tenham afetado o setor no longo prazo?

Sim. Dentro da própria Braztoa, havia 92 associados, sendo 76 operadores. Hoje temos apenas 50 operadores. Umas empresas realmente faliram, outras encerraram a atividade e algumas estão dormentes sem saber se poderão voltar. Sofreram mais as empresas com foco em um único destino, como Disney. Empresas com muitos destinos conseguiram sobreviver.

O ano começou com medidas de restrição e isolamento social que seguem afetando a economia. Isso já cria o risco de que tenhamos esse ano uma temporada de mais perdas?

Percebemos uma demanda reprimida muito forte, em especial no mercado internacional, com muitas promoções. E tem promoções muito fortes. Destacando que as empresas precisam estar atentas à saúde financeira da companhia. E quanto mais clareza com o cliente, mais seguro a retomada. Por exemplo, destacando que quem comprar agora poderá remarcar até o final de 2023, levando em conta a sazonalidade.

O fim de 2020 apontava uma demanda forte. Algumas empresas faturaram em outubro em novembro mais que nos mesmos meses de 2019. Mas o pessoal abusou em termos de cuidados, e pagamos isso em janeiro.

Fevereiro está sendo melhor que janeiro, mas estamos muito preocupados com o ritmo de vacinação. Tudo está indo muito devagar e nem adianta mais ficar reclamando do governo, não é mesmo.

Apesar das incertezas, dá para dizer que esse ano teremos um desempenho maior que 2020, mas só porque a nossa base de comparação ficou muito baixa. Tanto que só devemos recuperar o patamar de vendas que tivemos em 2019 lá para depois de 2023.

O turismo representava 8,1% do PIB brasileiro em 2019. Hoje não vale quase nada.

É possível apontar quais segmentos estão sofrendo mais?

O setor corporativo foi o que sofreu mais, com uma queda que vai continuar mesmo após a vacinação. Esse segmento talvez nem em 2023 volte ao patamar de 2019. No lazer, percebemos um aumento de viagens por curta distância ante longa distância. Porque se as pessoas se sentirem desconfortáveis, fica mais fácil retornar.

Entre aéreo e rodoviário, vimos uma queda mais forte no uso dos ônibus porque as pessoas não querem ficar muito tempo fechadas em um mesmo ambiente. As aéreas também perderam muita demanda, que chegou a 50% a 60%, mas elas conseguiram se ajustar para atender ao ritmo da demanda.

Entre os segmentos de alta renda e baixa renda, vemos que as pessoas de alta renda estão viajando. Veja o que está acontecendo com o uso de jatinhos, que cresceu.

Nessa crise, quais decisões comerciais estão se mostrando vencedoras?

O setor percebeu que não precisa de uma grande estrutura presencial para atender ao cliente. Isso pode ser feito de forma digital, online. Houve uma flexibilização na montagem dos pacotes. Ajustar as viagens ao interesse de cada compra. Acrescentando dias ou passeios que não estavam previstos.

Existe uma grande demanda reprimida e os negócios vão voltar em algum momento. Mas é importante as pessoas continuarem se cuidando e, quando for possível, tomarem a vacina. Até porque há projetos em vários países que devem passar a exigir dos viajantes o comprovante de vacinação.

Foto: Reuters/Amanda Perobelli

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